Resumo da fonte: Biografia de Edinanci Silva, escrita por Helena Rebello, revisita a carreira olímpica, o preconceito sofrido e o legado da judoca brasileira.

Biografia de Edinanci Silva, escrita por Helena Rebello, revisita a carreira olímpica, o preconceito sofrido e o legado da judoca brasileira

Uma das principais atletas olímpicas da história brasileira ganha neste ano uma biografia a sua altura. “Edinanci Silva: Mulher Forte, Sim Senhor”, escrita pela jornalista Helena Rebello e publicada pela Editora Malê, será lançado este mês com eventos em São Paulo e no Rio de Janeiro, com a presença da judoca e da autora (veja datas e locais abaixo). O livro já está à venda no site da editora.

Nascida em Sousa, no interior da Paraíba, Edinanci Silva completa 50 anos neste domingo, 23 de agosto. Ela iniciou no esporte aos 15 anos e foi uma das atletas mais importantes do judô nacional. Entre muitos títulos, foramduas medalhas de bronze em campeonatos mundiais – Paris 1997 e Osaka 2003 –, e o bicampeonato dos Jogos Pan-Americanos, em Santo Domingo-2003 e Rio-2007, levando também um bronze em Winnipeg-1999.

Em Jogos Olímpicos, Edinanci teve uma trajetória marcante, conquistando o diploma olímpico em todas as edições de que participou: sétimo lugar em Atlanta-1996, Sydney-2000 e Atenas-2004, além do quinto lugar em Pequim-2008. Primeira brasileira a disputar quatro edições dos Jogos Olímpicos, até hoje é a atleta feminina do Brasil que chegou ao top-8 em competições individuais por mais edições olímpicas.

Porém, sua trajetória também foi marcada por uma cobertura sensacionalista e ataques preconceituosos. Em um teste de feminilidade obrigatório para os Jogos de 1996, ela descobriu ser intersexo, alguém com características biológicas femininas e masculinas. Precisou passar por cirurgias para cumprir requisitos esportivos, mas passou a ser alvo de ataques tanto da imprensa quanto do público, o que fez a jornalista a fugir da imprensa, como contou ao UOL em 2024.

“Por vários anos, tentei entrevistar a Edinanci, mas nunca consegui. Em 2008, na última Olimpíada dela, bateu mais forte para mim a questão de mea-culpa em relação à cobertura esportiva sobre a Edinanci por parte da imprensa”, contou Helena Rebello, lembrando do sensacionalismo em relação à atleta especialmente nos anos 1990, que fez ela tentar se afastar dos holofotes.

Trabalhando no Comitê Olímpico do Brasil (COB), a jornalista conseguiu se aproximar mais de Edinanci. O processo, porém, ainda demorou alguns anos até que Edinanci estivesse pronta para se abrir. Muitas passagens, inclusive, ela não tinha conversado nem com as pessoas mais próximas até resolver contar à biógrafa. A princípio, a ideia era fazer um documentário, antes de chegarem no formato de livro.

Em 2023, Edinanci já foi com a Ordem do Mérito do Judô Brasileiro. Em seguida, entrou para o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil (COB), recebendo a homenagem em 2025. E foi nessa época que o livro começou a ganhar vida. Helena ainda conta que foram meses de conversas com Edinanci, abordando as passagens de sua vida e carreira.

“Foi um processo longo de construção dessa confiança. Foi um processo delicado pelos anos que ela fugiu da imprensa”, comentou a jornalista. Além dos meses de conversa, o trabalho envolveu 137 pessoas entrevistadas, cinco cadernos de anotações, mais de 3.000 matérias consultadas, quase 100GB de materiais digitais, que ajudaram a reconstruir a trajetória e o impacto de Edinanci.

O livro ainda conta com orelha da bicampeã olímpica Fabi Alvim, que descreve a obra como “um reconhecimento tardio, mas fundamental, de que Edinanci Silva sobreviveu a um sistema hostil e pavimentou o caminho para as gerações que vieram depois – no esporte e na vida”. Os judocas Flávio Canto, Beatriz Souza e Ketleyn Quadros, entre outros medalhistas olímpicos, também contribuíram com depoimentos.

A obra será lançada em São Paulo nesta sexta-feira, na Drummond Livraria, no Conjunto Nacional, das 19h às 21h. O evento contará com a presença de Edinanci Silva e Helena Rebello, em um um bate-papo conduzido pelo jornalista Paulo Conde.

No Rio de Janeiro, o lançamento será na quarta-feira, dia 26, também das 19h às 21h, na Livraria da Travessa, em Botafogo. O bate-papo com Edinanci e Helena será mediado pela jornalista Bruna Dealtry.

Interessado em cinema, esporte, estudos queer e viagens. Se juntar tudo isso melhor ainda. Mestrando em Estudos Olímpicos na IOA. Estive em Tóquio 2020.

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